16 de jan de 2013

Resenha: O Sonhador – Ian McEwan

Essa é a história sobre um menino sonhador. Poderia parar por aí já que sonhar é ótimo, não fossem os adultos. Geralmente os grandes que não foram crianças de verdade, e tampouco guardam a essência da infância dentro de si, tendem a se importar demais com os sonhadores – independente de seu tamanho. Esse é o caso de Peter de 10 anos.

O menino gosta de ficar sozinho para pensar, imaginar, mas sempre alguém aparece a fim de atrapalhar o seu momento. E por essa “estranha mania” de sonhar é tido como uma criança difícil.

Acontece que Peter só gosta de imaginar possibilidades – e sempre estranhas –, por exemplo, descer uma montanha usando um cabide de arame.

Posso dizer que em certas partes me identifiquei. Até hoje, aos 29 anos – quase uma balzaquiana! –, sonho acordada. A questão é que isso pode ocasionar perigos, como quando o menino esquece Kate, a irmã de 7 anos, dentro do ônibus.

É um assunto delicado quando se torna comum, ou tido o exagero como normal, e às vezes não tem como controlar. Essa falta de atenção, ou fuga, pode ser notada quando se lê, está na página 20 e percebe que não lembra nada depois da 5ª e precisa voltar. Comigo é bem frequente acontecer e por esse motivo sou bastante lerda para ler e às vezes é uma situação chata. Claro que sonhar acordado é maravilhoso e todos deveriam fazê-lo, mesmo que adultos chatos tentem impedir, como fala uma matéria na Folha de São Paulo sobre os devaneios serem perigosamente tomados como doença. E o exagero que acontece com Peter é o permitido na literatura, ele tem mais do que devaneios, o menino consegue quase tocar em seus sonhos.

O Sonhador (1994, Editora Rocco, 104 páginas) conta que Peter descobre que as pessoas querem saber o que se passa em sua cabeça para entendê-lo, então ele começa a escrever contos e os capítulos que se seguem contam suas histórias fantásticas. Numa delas o menino literalmente sente o que é ser um gato quando troca de corpo com William Gato. Pode dormir, dormir, espantar do seu muro um gato valentão e dormir. Numa outra situação passa por maus bocados ao ser acuado pelas sessenta bonecas de sua irmã. E até enfrenta o garoto malvado do colégio.

Há algumas ilustrações de Anthony Browne. Esse é o primeiro livro que leio de Ian McEwan (1948). Juvenil é o gênero que mais gosto, apesar de que esse não foi assim tão interessante quanto a sinopse faz parecer, mas vale a leitura e não desistirei, vou torcer para que os outros sejam melhores.

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Editora: Rocco
Título original: The Daydreamer
ISBN: 853250860
Ano: 1994
Páginas: 104
Tradutor: Roberto Grey
Skoob
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Leia também:
+ A Grande criação de Nicolas - Dennis Vinicius
+ Resenhas  

2 comentários:

  1. Priscilla R. Dutra24/01/2013 10:37

    Primeiro: essa capa é meio medonha hahaha
    Bem, eu sou desligada qdo leio. Qdo o livro é bom eu mergulho nele onde quer q esteja. Ás vezes tem que me chamar mais de uma vez pra sair daquele mundo xD
    Mas, sobre o livro em si, pelo q vc falou n me interessou mto =\

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    Respostas
    1. É, não é assim tão legal, é interessante, mas nem de longe entra na lista dos melhores =P

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