23 de jan de 2013

Resenha: Abaixo das Nuvens - Lucas M. Carvalho

Abaixo das Nuvens (Editora Dracaena, 200 páginas, R$32,90) é uma história cyberpunk e já nas primeiras páginas há o choque quando se percebe que as pessoas não são o que parecem fisicamente. Se passa em 2064 e, quase como a realidade de hoje, mas ao extremo, as pessoas não saem de seus apartamentos – cômodo padrão de 20 metros quadrados –, não têm contato direto com outras pessoas. Têm uma vida virtual, criando e sobrevivendo numa falsa realidade acomodada. Socializam através de avatares e nesse futuro podem criar a imagem que desejarem.

O livro é uma espécie de diário narrado em primeira pessoa, não sabemos o seu nome real, mas é um agente do governo. O seu trabalho consiste em ir ao apartamento de um devedor para cobrar de uma maneira nada convencional. Num dos casos encontra um homem obeso que não conseguia nem se levantar, ele devia muito e não tinha como pagar ao governo, por esse motivo foi despejado, jogado para morrer no deserto.

As pessoas criam avatares com famílias, cargos, enfim, uma variedade de opções. Mas não é permitido falar sobre outros avatares próprios ou quem os controla.

Tudo toma um novo rumo quando surge um homem e questiona o narrador sobre seu outro avatar. Isso não deve acontecer, afinal ninguém deveria ter conhecimento. Após esse acontecimento ele percebe que alguém roubou todos os seus créditos e fez dívidas em seu nome. Ele está na miséria e logo outros agentes do governo o encontrariam para cobrar e jogá-lo no deserto. Mas o que há além do deserto?

O que mais me incomodou nesse livro foi o discurso contra o “sistema” em quase todas as páginas iniciais. Poderia ter sido suprimido, deixado implícito. Desta forma o texto ficaria mais interessante, menos cansativo e o impacto esperado seria maior.

Conversando com um amigo sobre a história, como pode vir a ser o nosso futuro, ele disse que lembrava a premissa do filme Os Substitutos, saí em busca de informações e descobri que o filme é baseado numa HQ chamada The Surrogates, escrita por Robert Venditti, e ilustrada por Brett Weldele. Como não entendo muito de filmes e menos ainda de HQs, encontrei no Omelete uma rápida explicação sobre:

"Na trama, ambientada em 2054, quase todo mundo trocou sua vida normal por androides substitutos da Virtual Self, que fazem tudo sem que você tenha que sair de casa. Um terrorista tecnológico, porém, quer sabotar esse novo mundo perfeito, e começa a assassinar os androides. Cabe a dois policiais impedi-lo um homem de verdade (Bruce Willis), que evidentemente cuida do caso à distância, e a sua cópia androide, que fica com todo o trabalho pesado".

E outro amigo lembrou do livro Cyber Brasiliana, de Richard Diegues, que tem avatares e "parte do enredo dá suporte para uma ação vertiginosa que se desenrola enfatizando os dramas dos personagens, enquanto a outra se aprofunda nas questões desencadeadas pelo cenário social, levantando questões como: a tecnologia poderia afastar realmente o homem do rumo espiritual para o tecnológico? Até que ponto desejamos nos afastar do convívio pessoal e transpor esse contato para a virtualidade? Do que seríamos capazes de abrir mão em troca da imortalidade? O modo de vida que desfrutamos hoje é algo definitivo ou apenas um conceito a que nos atemos?"

São críticas ao que estamos criando hoje, vivemos cada vez mais isolados e encontrar fisicamente pessoas se torna raro. A realidade se torna virtual.

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Editora: Dracaena
ISBN: 9788564469969
Ano: 2012
Páginas: 200
Skoob | Editora Dracaena
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5 comentários:

  1. Priscilla R. Dutra24/01/2013 10:22

    O primeiro parágrafo me lembrou mto O Jogador Nº 1, uma distopia bem divertida por sinal, mas depois mudou totalmente.
    O livro me interessou, mas um pra uma lista enorme -.-

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  2. Também me lembrei do "Jogador nº1", que comprei ano passado e abandonei quase na metade... A minha curiosidade eram as tais referências aos anos 80, mas acho que quem vive mais no mundo dos games aproveita mais, não sei... Até troquei e espero que a pessoa o aproveite mais que eu, rs.

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    1. Não conhecia esse "Jogador nº1", dei uma rápida lida na sinopse e não me interessou rs.

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  3. Achei bastante interessante a sinopse. Já assisti "Os substitutos" e lembra um pouco (mas no filme os avatares são físicos, robôs), e acho que resvala em Cyber Brasiliana (excelente livro que também já tive a sorte de ler) apenas por tratar de mundos virtuais, já que as duas tramas parecem bem diferentes. Tramas distópicas sempre chamam a minha atenção. Vai pra minha lista com certeza!

    Boa dica, madame Celly!

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