24 de fev de 2012

Entrevista: André Vianco

Resolvi começar afazer entrevistas sobre o mundo dos livros com pessoas que gostem de livros para que possam falar um pouco sobre esse amor que temos em comum.

Os leitores do blog não acompanharão somente entrevistas com autores, mas com quem se destaca de alguma forma e curte ler. A primeira entrevista do Mundo de Fantas será com o querido André Vianco, um grande autor de literatura fantástica nacional e leitor.

Em 1999 André Vianco produziu mil cópias de seu primeiro livro, Os Sete. Em 2000 foi pessoalmente promovê-lo em livrarias e editoras. Em 2001 a editora Novo Século se interessou por seu trabalho e republicou o livro. Desde então a parceria entre autor e editora proporcionou mais obras.

O Playcenter, conceituado parque de diversões de São Paulo, ao comemorar seus 20 anos das Noites do Terror, homenageou André Vianco e os Vampiros do Rio D´Ouro com uma seção só deles. Logo na entrada do parque, encontrava-se a caravela, de onde os vampiros haviam acordado.

Com uma grande equipe produziu o curta-metragem para comemorar os 10 anos de lançamento de Os Sete, você pode conferir o episódio piloto de “O turno da noite” no blog do Vianco.

Hoje André Vianco é um autor conhecido e respeitado, com vários títulos publicados em duas editoras, Novo Século e Rocco, e é prova de que há literatura fantástica de qualidade no Brasil.

Confira seus títulos:
  • Saga Os Sete:
    Os sete, Sétimo, O Senhor da Chuva, O turno da noite volume 1, O turno da noite volume 2, O turno da noite volume 3.
  • Saga o Vampiro-Rei:
    Bento, Vampiro-rei 1, Vampiro-rei 2.
  • Livros independentes:
    A casa, Sementes no gelo, O caminho do poço das lágrimas, O caso Laura.
  • HQs:
    Vampiros do Rio Douro Vol. 1, Vampiros do Rio Douro Vol. 2.

E agora acompanhe a entrevista com André Vianco:

Mundo de Fantas: Quando começou seu interesse pelos livros?
André Vianco: Ainda na infância, toda semana eu retirava um livro na biblioteca da escola. Daí para o encantamento irreversível foi um pulo.

MdF: Quando você percebeu que queria ser escritor?
AV: Quando descobri o cinema e suas histórias de fantasia e terror. Pensei, é isso que quero fazer, contar histórias.

MdF: Quando você escreve tem alguma mania?
AV: Gosto de estar sozinho.

MdF: Qual a dificuldade você encontrou para publicar e/ou apresentar seu trabalho aos editores e leitores?
AV: A dificuldade foi com os editores. Quando comecei a apresentar meus livros para as editoras, isso na década de 90, ainda não existia esse boom da fantasia, a fantasia nacional então era totalmente discriminada. Acabei publicando meu livro por conta própria.

MdF: O que você pensa sobre a estatística que diz que o brasileiro lê em média 1 livro por ano? Falta incentivo para que o Brasil se torne um país de leitores?
AV: Falta vontade política no Brasil. Somos um povo mal-educado politicamente. Vemos as atrocidades que os políticos ladrões brasileiros fazem e ficamos de braços cruzados e ainda achamos ruim quando ficamos presos atrás de um engarrafamento por conta de uma manifestação.

MdF: A produção de livros no Brasil vem crescendo, mas você acredita que sejam histórias de qualidade?
AV: As coisas boas e ruins crescem em proporção. Se pegar dez livros de ficção publicados vai encontrar dois que valham a pena, sempre foi assim e, provavelmente, sempre será.

MdF: Qual o tipo de leitura você gosta?
AV: Leio muita coisa, de muitos gêneros, mas um bom suspense é o que ainda mais me atraí em literatura.

MdF: Deixe dicas de livros para os leitores do Mundo de Fantas.
AV: Jardim de Ossos, Bando de pardais, Snowcrash, Ritual, Diário da Sibila Rubra, O inventor da solidão.

André Vianco já fechou contrato com a Novo Século e lançará em breve a continuação da saga Vampiro-Rei, A noite maldita.



11 comentários:

  1. Olá Celly! O André Vianco é um grande exemplo de quem acredita no que faz. Temos que prestigiar a Literatura Nacional é o que tenho dito. Parabéns pela entrevista, sucesso!

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    1. Concordo, por isso o convidei para ser o primeiro entrevistado, ele foi atrás do que acreditava, mesmo num país onde não se investe em livros, e ele conseguiu! =)

      Obrigada ^.^

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  2. Adorei a entrevista, começando com um grandioso representante da LitFan de qualidade! Beijos.

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  3. Priscilla Rubia24/02/2012 21:10

    Li somente Os Sete do Vianco, mas quero mto continuar a saga! Grande entrevista Celly, parabéns!

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    1. Recomendo "Bento", incrível =)

      Obrigada, mocinha =)

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  4. @cyberlivingdead25/02/2012 10:33

    Ótima entrevista! Já li alguns dos livros do André Vianco. O que me conquistou em seus livros foi a perfeita caracterização brasileira de seus personagens. Nada de recorrer à "estrangeirismos" e muitas expressões próprias do Brasil. Sensacional!

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    1. Os livros são muito bons, "Bento" é o meu favorito! =)

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  5. Um grande exemplo de que há talentos no Brasil, o que falta é a chance para nos "mostrarmos". Grande autor. Digno de respeito e admiração por todos aqueles que gostam de uma boa literatura. Correu atrás e conseguiu. Viva ao Brasil e seus talentos :)

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    1. As chances estão aí, mas muitos precisam perceber que publicar não é tão simples. Precisa de um processo, os escritores querem tudo muito rápido, para ontem e transformam-se em passageiros...

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  6. olha, esta questão dá um artigo ou livro. Eu acho o seguinte: a maioria, no Brasil, não lê nem um livro por ano! E quando lê, lê mas não entende.

    Claro, os que amam os livros leem e leem muito, são raros. Mas estou falando das pessoas que deveriam ter ambições intelectuais. Se lesse um livro por mês, mas lesse mesmo e com profundidade na leitura, já estaria bom, seria qualidade superando quantidade.

    Rico, salvo raras exceções, então nem perde tempo com livros, pois no Brasil pra ficar rico não é necessário ser inteligente, mas sim espertalhão (Lei de Gerson), e como riqueza não implica necessariamente felicidade, o resultado é milionário sendo morto esquartejado (veja um caso recente que teve e foi manchete de jornais). No Brasil quem lê dois livros por mês é visto como ET.

    Eu mesmo na minha família sou visto como um ET, já que, tirando eu e uns dois, o restante da família é de operários proletários que foram ensinados pelo próprio sistema de vida deles a considerar o livro coisa de nerd ou doido. Na Argentina, os caras lêem 8 livros por mês. No Brasil, o cara que lê mais de um livro por ano é considerado nerd. Nerd no Brasil virou sinônimo de gente besta, o que é uma idiotice e uma inveja, a maioria dos nerds que eu conheço são inteligentes e indepententes.

    Eu concordo com o escritor entrevistado. Me faz lembrar aquela música do Ultraje a Rigor, "A gente não sabemos eleger presidentes".
    Seria interessante também que esse Novo Acordo Ortográfico, que eu acho que foi ruim, ficasse sendo opcional, ou seja, as normas antigas e novas valessem juntas. Já pensou um professor formado ter que estudar tudo de novo o que aprendeu?Ao invés de nova ortografia o Brasil deveria investir nos professores e nos escritores porque a língua portuguesa no mundo não é respeitada, quem manda no mundo das letras é o inglês e o espanhol.

    Roger, ex-presidente aposentado compulsoriamente da IS ehehehehe! (SC)

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